Desafio da escrita: Dia 2 e 3


Dia 2: Crie um personagem e descreva-o

        Ela era o que toda garota desejava: alta, magra, olhos azuis e longos cabelos tão claros que pareciam brancos. Se tinha um nome, ninguém o conhecia. Se tinha amigos, todos estavam mortos. 
        Assim como ela. 
        Ela não sabia há quanto tempo estava morta mas sabia que alguém havia matado-a no dia de seu casamento. 
        Agora, ninguém a via sob a luz fraca do corredor. Seus pés flutuavam a cinco centímetros do chão de um lado para outro, como se algo a preocupasse. Seus olhos dançavam nas órbitas enquanto tentava chamar a atenção das pessoas que passavam e não a viam. Seu vestido branco roçando nas pernas dos estranhos que passavam.
        Ela gritava num silêncio ensurdecedor, fazia algumas lâmpadas piscarem, mas ninguém percebia. Ninguém a notaria. Ninguém ouviria o que ela tinha a dizer.
        Estavam todos em perigo. 

Dia 3: Escreva uma história de terror 

         Era noite.
         O céu estava carregado de nuvens. Tinha certeza que logo começaria a chover.
         Estava voltando do trabalho. Tive um dia chato, meu carro quebrou, levei sermão do chefe e saí tarde do trabalho. Pior impossível.
         Fui para casa andando, cortando caminho pelo parque. O parque ficava a duas quadras do apartamento que eu dividia com meu cachorro. Ele era a minha única companhia. Não me considero uma pessoa solitária por isso. Tenho os caras que quero quando eu quiser e a casa só para mim. Gosto do silêncio e da solidão.
         O parque normalmente ficava lotado durante o dia, cheio de turistas e nativos perambulando por aí, mas a noite os viciados e ladrões ficavam à espreita. Acelerei o passo diante desse pensamento.
         Não havia iluminação, apenas um poste ali o outro acolá, reforçando o perigo do parque. O único barulho que ouvia era o dos cascalhos sob meus pés e o pio das corujas entre as árvores.
         De repente senti que não estava sozinha. Sabia que devia ser meu psicológico pregando uma peça em mim, todo o estresse acumulado jorrando em forma de medo.
         Corri um pouquinho e parei envergonhada. Pare de idiotice, pensei comigo mesma. Nada irá lhe acontecer, só continue andando, pelo amor de Deus!
        Continuei a caminhar, olhando por cima do ombro e para os lados constantemente, ainda com a impressão de não estar sozinha.
        Respirei fundo para desacelerar meus batimentos cardíacos. Pensei na xícara de café quente que faria quando chegasse em casa. Fiquei ocupando a minha mente com pensamentos aleatórios que tirassem a atenção do meu medo.
        Um farfalhar de folhas ao meu lado. Dei um pulo e olhei amedrontada para onde veio.
Nada. Só o leve balançar das folhas. Foi o vento. Apenas o vento, repeti para mim mesma. Nada para se preocupar.
        O arrastar de um pé. Voltei a correr. Isso não poderia ser coisa da minha mente. Cori o mais rápido que pude, mas parecia que eu estava correndo em círculos, sem nunca chegar ao meu destino. Olhei por cima do ombro para ter um vislumbre do meu agressor e... Nada. Não havia ninguém. Diminuí a corrida respirando com dificuldade pela falta de exercício.
        Seria isso apenas uma ilusão da minha mente? Devo estar ficando louca. Parei por um momento para recuperar o fôlego.
       Então o vi.
       Estava encostado informalmente na árvore a minha frente, como se estivesse encontrando uma velha amiga. Mas seus olhos mesmo de longe faiscavam de maldade.
       E eles olhavam para mim.
       Corri na direção contrária o mais rápido que meu corpo permitia. A dose de adrenalina circulando pelo meu corpo juntamente com o medo de ser pega. Não olhei par trás. Simplesmente corri.
       Tinha esperança de que ele não me seguiria. Tinha a esperança de que conseguiria fugir e seguir com a minha vida sem ao menos lembrar desse incidente.
       Quando senti sua mão gélida e áspera agarrando o meu pescoço, da mesma forma que um predador agarraria a sua presa e meu corpo indo ao chão, sentindo a minha cabeça rachar – como um prédio desmoronando – eu sabia que ter esperança não iria adiantar.
        A esperança era uma ilusão. 



Se não entendeu o desafio, leia o post Desafio dos 15 dias de escrita
Resolvi não postar todos os desafios em posts separados porque isso deixaria a página do blog muito lotada de textos então vou postar os dias de dois em dois, como nesse post. Gostaram das estórias?

Kamila Cavalcante

2 comentários:

  1. Adorei, super me identifiquei com as suas palavras. Lindo, sem mais! Boa sorte com esse desafio!
    Ahh, essa é a primeira vez que acesso seu blog e amei logo de cara! O conteúdo e o layout são apaixonantes. Garota, você tem um talento e tanto *-* Continue assim! Sabe, vendo o que faz aqui, fiquei com a impressão de que encontrei um refúgio, uma dica bacana, um texto legal, um conteúdo original... Eu nem preciso dizer que eu gostei o seu Blog, não é? Porque eu não só gostei.. eu me encantei, eu amei! O mínimo foi clicar ali e te seguir! Que bom foi ter encontrado seu espaço! *-* Parabéns e muito sucesso, viu?
    Seria uma honra vê-la no meu blog, e se gostar, seguir também! Beijos!

    Frase de hoje: "Tudo é ousado para quem a nada se atreve." – Fernando Pessoa
    Antes de Sonhar | Instagram: @antesdesonhar

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    Respostas
    1. Fico feliz em saber que você gostou tanto assim do blog, muito obrigada mesmo <3
      Já dei uma olhada no seu blog e ele não fica pra trás, também é muito bom, beijos!

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Eaí, qual a sua opinião?

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Essa história de que um blog precisa ter um assunto só e ter uma dona só é ultrapassada. O bom mesmo é se expressar, inovar, e fazer as pessoas se identificarem! Isso é o que pretendemos escrevendo este blog pra vocês. Gabrielle Almeida; 18, Ciencias Sociais. Kamila Cavalcante;18, Jornalismo. Ylla Biavatti, 18, Medicina Veterinária. Todas de Manaus - AM, postando diariamente assuntos totalmente desritmados! :)

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