Resenha: Puros

Julianna Baggott, 366 páginas – Rio de Janeiro, 2012 – Editora Intrínseca. Título original: Pure.


Sinopse:  Pressia pouco se lembra das Explosões ou de sua vida no Antes. Deitada no armário de dormir, nos fundos de uma antiga barbearia em ruínas onde se esconde com o avô, ela pensa em tudo o que foi perdido — como um mundo com parques incríveis, cinemas, festas de aniversário, pais e mães foi reduzido a somente cinzas e poeira, cicatrizes, queimaduras, corpos mutilados e fundidos. Agora, em uma época em que todos os jovens são obrigados a se entregar às milícias para, com sorte, serem treinados ou, se tiverem azar, abatidos, Pressia não pode mais fingir que ainda é uma criança. Sua única saída é fugir.

Houve, porém, quem escapasse ileso do Apocalipse.

Esses são os Puros, mantidos a salvo das cinzas pelo Domo, que protege seus corpos saudáveis e superiores. Partridge é um desses privilegiados, mas não se sente assim. Filho de um dos homens mais influentes do Domo, ele, assim como Pressia, pensa nas perdas. Talvez porque sua própria família se desfez: o pai é emocionalmente distante, o irmão cometeu o suicídio e a mãe não conseguiu chegar ao abrigo do Domo. Ou talvez seja a claustrofobia, a sensação de que o Domo se transformou em uma prisão de regras extremamente rígidas. Quando uma frase dita sem querer dá a entender que sua mãe pode estar viva, ele arrisca tudo e sai à sua procura.
Dois universos opostos se chocam quando Pressia e Partridge se encontram. Porém, eles logo percebem que para alcançarem o que desejam — e continuar vivos — precisarão unir suas forças.


‘'Sabemos que vocês estão aqui, nossos irmãos e irmãs. Um dia saíremos do Domo e nos juntaremos a vocês em paz. Por enquanto, observamos de longe, com benevolência...’’ Pág. 8

                Nunca tinha ouvido falar de Puros antes de uma amiga aparecer com ele. Quando a ouvia falar sobre o livro, o achava muito depressivo e estranho. Mas como sempre, eu acabo lendo. Puros é uma distopia um pouco diferente das que estamos acostumados a ler (Oi Jogos Vorazes e Divergente), não depreciando nenhuma série, mas em relação a estórias futurísticas, Puros é sem dúvida a mais real. Não estou arrependida de ter lido. Nem um pouco.

                Na estória, uma explosão assola a Terra, dizimando milhares de pessoas. Aquelas que sobreviveram tiveram que lidar com um ‘’novo mundo’’ e com a sua própria anomalia surgida pelos efeitos da bomba. É aí que está algo que vai além da imaginação. Os que sobreviveram foram fundidos a objetos que estavam próximos deles no momento da explosão. Ou seja, pessoas foram fundidas a outras pessoas, a terra, a animais e tudo o mais o que lhe vier a mente.

                Entretanto, há aquelas pessoas que saíram ilesos das explosões pois entraram no Domo, uma grande fortaleza, que mantém aqueles que lá vivem, saudáveis e superiores.

                O tempo todo a autora nos faz lembrar atentado de Hiroshima e Nagasaki, me fazendo pensar se, com a tecnologia correta, pode-se acontecer o mesmo e acabarmos fundidos à objetos. Não tenho nenhum conhecimento sobre energia nuclear ou nanotecnologia pra fazer uma bomba e nem tempo pra pesquisar sobre o assunto, mas do jeito que alguns países avançam tecnologicamente e militarmente deve ser possível chegarmos a uma catástrofe semelhante. Se esse assunto os interessa, leia essa matéria da BBC Brasil para saber um pouco sobre os efeitos da radiação no corpo humano (aqui). Enquanto nada explode, seguimos com a resenha...

                A estória se passa em torno de Pressia Belze, uma miserável que vive com o avô em um depósito nos fundos de uma barbearia. Sua maior preocupação é escapar da OBR – Operação Bendita Revolução – que é uma milícia onde os líderes governam pelo medo e pretendem derrubar o Domo. Quando alguém completa 16 anos, deve se entregar na sede da OBR. Os boatos são que eles ensinam os recrutas a matar utilizando alvos vivos e se a pessoa for muito deformada devido às explosões, ela seria o alvo. Pressia tem uma boneca fundida à sua mão - inutilizando-a – devido a isso, pretende se esconder e fugir da OBR.

                No Domo, Partridge Willux é filho do líder do Domo. Depois que o pai o chama à sua sala para vê-lo, ele acaba desconfiando que a sua mãe que supostamente tinha morrido nas explosões continuava viva. Devido a isso, Partridge toma uma decisão que poderia custar a sua vida: sair da segurança do Domo à procura de sua mãe. Ele então traça um plano de fuga e sem acreditar no que havia feito, foge do Domo.

                Quando Pressia finalmente completa 16 anos, a OBR vai busca-la e como fora combinado com seu avô semanas antes, ela foge, sem ter um rumo certo. É quando ela encontra Partridge, um Puro de verdade. Pressia decide ajuda-lo na sua missão por mais perigosa e suicida que seja e juntos acabam descobrindo segredos sobre o Domo, a OBR e sobre eles mesmos.

                O livro inteiro é ótimo, cheio de mistérios e revelações. Os capítulos são revezados principalmente entre o ponto de vista da Pressia e do Partridge, mas há também pontos de vista de alguns personagens secundários, tornando a história completa e bem descritiva.

‘’Queime um Puro e respire as cinzas.

De suas entranhas, faça umas cintas.
Com seus cabelos, teça um cordão.
E de seus ossos, faça um Puro sabão.
Lava, lava, lava. Pula, pula, pula.
Lava, lava, lava. Eu sou Pura.’’


Kamila Cavalcante

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Oi! :)

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Essa história de que um blog precisa ter um assunto só e ter uma dona só é ultrapassada. O bom mesmo é se expressar, inovar, e fazer as pessoas se identificarem! Isso é o que pretendemos escrevendo este blog pra vocês. Gabrielle Almeida; 18, Ciencias Sociais. Kamila Cavalcante;18, Jornalismo. Ylla Biavatti, 18, Medicina Veterinária. Todas de Manaus - AM, postando diariamente assuntos totalmente desritmados! :)

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